Antonio Dias

March 08 — April 08 2005
Exposição no 1º piso






ANTONIO DIAS A Galeria Luisa Strina apresenta, do dia 08 de março até 08 de abril de 2005, exposição individual do artista plástico Antonio Dias com obras inéditas.

Esses trabalhos tratam diretamente de casas e torres: são casas de argila, casas de bronze e torres de bronze. Apresentam dois mundos separados pelo enunciado dos materiais com que são feitos os objetos: argila remete à pobreza, enquanto bronze, à riqueza.

Entretanto, como sempre na arte de Antonio Dias, as cartas estão embaralhadas e os dados têm bem mais de seis faces. Humor e ironia atravessam sua produção. No lado das torres: além de serem “torres gêmeas” – imagens banalizadas pela mídia depois da catástrofe do 11 de Setembro –, moldou duas pilhas de lata. Pilhas de lata, em princípio, têm equilíbrio precário, mas a pilha do artista é uma peça única em bronze. As latas serviram apenas ao molde inicial. Sua vulnerabilidade habita o simbólico pelo recurso à representação. Ao contrário das torres ou das pilhas de latas reais a que se referem.

Com esta forma, do ponto de vista da mera representação, um elemento crítico corrosivo penetra nas torres, mas não se infiltra nas casas. Estas são despojadas, sem teto, sugerindo casas para um lugar onde nunca chove e onde ninguém se encontra no seu interior nas horas de sol a pino; têm apenas um grande cômodo e uma pequena área reservada. Todas têm suas portas abertas. Sem defesas, indicam apenas a separação entre interior e exterior, não chega nem mesmo à separação entre o público e privado, apresentam-se somente como um abrigo precário. Em contrapartida, as casas de bronze têm a mesma forma pobre, mas é o material que “enobrece” o objeto, transmitindo-lhe suas características de durabilidade, rigidez e permanência, sem apagarem suas características formais.

As casas de Antonio Dias são habitadas; aqui e ali são visíveis as “figuras” que sugerem corpos familiares: um homem, um cachorro, mobílias precárias. A visibilidade total evidencia os traços, além das idiossincrasias individuais, do caráter coletivo da vida comunitária e produz distanciamento. Formas estranhas evocam uma vida com poucos recursos pelo artifício da ausência de teto. Estamos diante da relação contemporânea entre arte e política.

Torres e casas estão aí nem tanto como testemunhas de uma história já por demais conhecida, mas como uma investigação sobre os limites históricos da própria arte nas condições de um mundo que necessita sempre da grandiosidade espetacular, desde os atos terroristas – de grupos isolados ou de Estado – até às manifestações daquilo que, por convenção, ainda chamamos arte. As torres e casas demonstram que para a poesia e seus problemas a questão da escala está ligada à sua maior ou menor publicidade.

Antonio Dias é um dos mais importantes artistas brasileiros contemporâneos. Nasceu em Campina Grande, na Paraíba, em 1944. O ecletismo é sua marca. Em 1958, foi para o Rio de Janeiro, onde estudou com Oswaldo Goeldi. Em 1965, foi premiado na Bienal de Paris e, em seguida, passou a morar em Milão. Lá, o artista abandonou a figuração em favor de procedimentos conceituais. Dias passou, então, a transitar com muito talento pelos mais variados suportes – do desenho em folha de chá à pintura com óxidos, metais e minerais; das instalações com néon às vídeo-instalações realizadas com filme super-8. Atualmente, o artista vive e trabalha no Rio de Janeiro, em Colônia e em Milão.

Esta exposição conta com o lançamento do catálogo com texto do crítico Paulo Sérgio Duarte.

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