Edgard de Souza

April 12 — May 13 2005
Exposição no 1º piso






EDGARD DE SOUZA A Galeria Luisa Strina apresenta, do dia 12 de abril até 13 de maio de 2005, exposição individual do artista Edgard de Souza.

O artista apresenta obras inéditas: são oito fotografias, dezoito desenhos sobre papel, duas esculturas em bronze, uma escultura em madeira e pelo de vaca e duas esculturas em madeira laqueada. Esta exposição dá continuidade e desenvolvimento às mais importantes séries de trabalhos que o artista vem produzindo ao longo dos anos e que foram exibidos em mostra panorâmica durante os meses de setembro, outubro e novembro do ano passado na Pinacoteca do Estado de São Paulo, sob o título “A Voluta e outros trabalhos”.

“Edgard de Souza é reconhecido como um dos mais emblemáticos artistas paulistanos de sua geração. Desde o final dos anos 1980, Edgard vem construindo um conjunto de obras forte, refinado e relativamente reduzido. São sobretudo esculturas, esculpidas (no sentido mais tradicional do termo) em madeira e bronze, mas também objetos, fotografias, pinturas e desenhos. Uma das singularidades da obra do artista reside justamente aí: num período em que a produção de objetos e esculturas contemporâneos assumem feições de post-studio (obras feitas no ateliê, cuja execução é encomendada a artesãos ou fabricantes especializados), apropriacionistas, ou carrega em seus traços e acabamento o registro expressivo da mão do artista, as esculturas de Edgard parecem ser construídas na contramão dessa dita ‘contemporaneidade’: é o próprio artista que paciente e laboriosamente esculpe suas obras, com uma precisão e um acabamento extraordinários que parecem apagar os rastros da mão do artista. Mas a lição da contemporaneidade é taxativa, e a boa fatura ou artesania, ainda que deslumbrem, não constroem, por si só, boa escultura. Assim, a mais notável singularidade da obra reside nas articulações e nos tratamentos formais de um variado e oblíquo repertório de temas corporais que invariavelmente repousam ou se debatem sob as superfícies lisas, lustrosas ou peludas das obras de Edgard”, escreve Adriano Pedrosa, curador da exposição da Pinacoteca, para o livro que acompanhou a mostra e que estará disponível nesta exposição.

As fotografias de Edgard mostram um corpo em posições não-usuais e aparentemente difíceis sobre uma base ou tablado, como os usados para exibir objetos de Arte. São auto-retratos em fotografias. Os desenhos têm evocações corporais: parecem ser desdobramentos de suas esculturas e, ao mesmo tempo, ensaios para estas. São massas bidimensionais que indicam membros a se originarem. As esculturas em bronze são figuras humanas sem maiores abstrações: uma mostra três corpos idênticos, em posições diferentes, como que dançando. A outra indica dois corpos grudados pelos troncos. Há também uma escultura formada por dois vasos feitos apenas com pele e pelo de vaca bege sobre uma mesinha de madeira eximiamente pintada de branco. E, por fim, o artista apresenta duas esculturas mais abstratas em madeira laqueada: uma semelhante a uma cabeça de pato que “chora” gotas de vidro e a outra que remete a uma grande gota escorrendo, em um instante de congelamento.

Apesar de inegável e majoritariamente figurativos, os trabalhos de Edgard rejeitam interpretações fixas ou últimas – desejam , isto sim, manter seu caráter aberto e evocativo.

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