"Pina Baush" and Maarten Vanden Abeele

November 10 — December 10 2005
Exposição no 1º piso






“Era Pina Bausch. Uma monja com sorvete, uma santa com patins, um vulto de rainha no exílio, de fundadora de uma ordem religiosa, de juíza de um tribunal metafísico, que de improviso pisca os olhos…” [Federico Fellini]

Este é o primeiro livro brasileiro que acompanha toda a trajetória da mais importante e influente coreógrafa do século XX. O ensaio de Fabio Cypriano reconstrói em linguagem acessível o percurso e o processo de trabalho da companhia de Pina Bausch, o Tanztheater de Wuppertal, na Alemanha, desde os primórdios da “dança-teatro” nos anos 70 até a criação da peça brasileira, Água, de 2001.

Cypriano destaca dois eixos fundamentais na obra de Bausch: um vertical, que trata do método de pesquisa sobre as subjetividades, e um horizontal, que se relaciona com o esgarçamento das fronteiras geográficas de seu trabalho, “a partir da utilização de elementos de culturas diversas, numa verdadeira ambição de criar com sua dança-teatro uma linguagem universal”. Daí a origem das peças inspiradas e produzidas em diversas cidades do mundo, como Viktor (Roma, 1986), Nefés (Istambul, 2003), Ten chi (Saitama, Japão, 2004) Rough cut (Seul, Coréia, 2005), entre outras.

No eixo vertical, o autor desvenda os elementos que compõem um “método de Pina Bausch”.

Tendo acompanhado o processo criativo dos bailarinos e da coreógrafa no Brasil, Cypriano conclui que “a relação entre o erudito e o popular é a base da forma de observação de Bausch, uma artista interessada na gente das ruas, nas manifestações com raízes populares”. Os passeios por São Paulo e Salvador, as visitas a casas de dança (pagode e forró), ao Candeal – ciceroneados por Carlinhos Brown – a terreiros, feiras e restaurantes populares serão prova disso e irão frutificar na peça Água, que o autor passa a analisar na segunda metade do livro.

O diário de viagem com a companhia e a análise interpretativa de Água são os pontos altos da obra de Cypriano. Poucos pesquisadores antes tiveram acesso à intimidade do processo criativo de uma artista do porte de Pina Bausch, nem tantos elementos para fundamentar a apreciação crítica de um espetáculo contemporâneo. As fotografias inéditas do belga Maarten Vanden Abeele acompanham também este segundo bloco do livro dedicado exclusivamente à peça brasileira.

O volume se completa com uma lista de todas as peças de Pina Bausch e uma bibliografia bauschiana, com todas as referências para os interessados. Cabe ressaltar que este é apenas o terceiro livro brasileiro dedicado à obra de Pina Bausch.

SOBRE O AUTOR Fabio Cypriano, 39 anos, paulistano, é doutor em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atua como crítico e repórter da Folha de S. Paulo, desde 2000, na área de artes plásticas.

Também atuou como colaborador em várias outras publicações nacionais, como O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Bravo! e República. É professor da PUC-SP, desde 1995, nos cursos de Jornalismo e Comunicação das Artes do Corpo, onde realiza projeto de estudo sobre jovens artistas que trabalham com o corpo nas artes plásticas. Na PUC-SP defendeu a tese sobre a coreógrafa alemã Pina Bausch, Delícia e Desgraça. Espacialidade e ambivalência como estratégias de comunicação na peça brasileira “Água”, de Pina Bausch”, razão pela qual viveu três anos em Berlim, na Alemanha (1997 a 2000). Escreve para revistas internacionais, como Revista da Dança (Lisboa) e Connaissance des Artes (Paris). Estudou direitos humanos no Institut of Social Studies, em Haia, na Holanda, em 1993. É co-autor de Das – um olhar contemporâneo (Annablume), sobre a Cia. Terceira Dança.

SOBRE O FOTÓGRAFO Maarten Vanden Abeele nasceu em 1970 em Bruxelas, mas foi criado em Antuérpia. A partir de 1993, vivendo entre a Bélgica e a França, dedica-se à fotografia e a viajar pelo mundo, realizando reportagens e trabalhos autorais. Trabalhando com os grandes teatros europeus e japoneses, sua obra vem sendo exposta e publicada pela imprensa internacional. Autor de Pina Bausch (Éditions Plume, 1996) e co-autor de Jan Fabre (Actes Sud, 2005), entre outros.

LANÇAMENTOS 9 de novembro – 20h – Santander Cultural – Porto Alegre: Noite de autógrafos com a presença de Fabio Cypriano e Maarten Vanden Abeele 10 de novembro – 20h – Galeria Luisa Strina – São Paulo: Exposição de fotos de Maarten Vanden Abeele e exibição do filme Aurevoiretmerci, de Arnold Pasquier 12 de novembro – 10:30h – Pinacoteca do Estado de São Paulo: Palestras de Fabio Cypriano, Miguel Chaia e Christine Greiner; Exibição de 3 filmes de Pina Bausch: Café Müller, Sagração da Primavera e O lamento da Imperatriz (em parceria com o Instituto Goethe).

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