Brian Griffiths

“My Beloved Traitor” (Meu Amado Traidor)

11 Outubro — 04 Novembro 2005
Exposição no 1º piso






BRIAN GRIFFITHS – MY BELOVED TRAITOR A Galeria Luisa Strina apresenta, do dia 11 de outubro até 4 de novembro, a primeira exposição individual do artista Brian Griffiths no Brasil. Em “My Beloved Traitor – A Tale of Unbound Enthusism Tainted by Treachery and Disappointment” (Meu Amado Traidor – Uma História de Entusiasmo Ilimitado Estragado por Traição e Desapontamento) o artista inglês apresenta uma nova série de esculturas em pequenos formatos que povoam dois andares da galeria como murmúrios delirantes ou curiosos feitiços. Usando uma mistura de objetos encontrados e fabricados, Griffiths monta esculturas que mesclam entusiasmo por estética artesanal, idéias de epopéias e humor bobo e patético. São onze objetos e uma fotografia que indicam um artista atuando como entendido colecionador, para o qual a diversidade é privilegiada: um indivíduo que encontra, compreende e formata o mundo através de uma dependência de objetos. “My Beloved Traitor” revela-se como um guia de viagem de aventuras sem direcionamento, além de uma sucessão de pesarosas interrogações acerca de objetos. O artista dá continuidade à sua exploração do fascínio pelo desgaste de objetos e imagens. Apresenta, entre outras coisas, imagens de palhaços, piratas e partes do corpo. Armado de um vocabulário de lugar-comum, o artista usa economicamente matérias e espaços para construir uma sensação de viagem, transitando entre tempos, lugares, mundos e línguas. Com humor sutil, o artista convida o espectador a saltar acrobática e conceitualmente de uma obra a outra a fim de encontrar ou criar conexões. Exige-se contínua participação, enfatizada pela forma narrativa, nesta estória sem começo ou fim ou nesta trama convencional, transformada em subproduto a partir de diversas histórias, desde a literatura clássica até piadas populares, e assim, oferecida a ser devorada. Dentro destas narrativas, Griffiths é rápido em atribuir possíveis papéis ao espectador: o gigante, o monstro, o diretor ou animador de um espetáculo etc. Assim, posições múltiplas e simultâneas são construídas e o cubo branco passa a ser uma paródia de paisagem psicológica, um palco de teatro ou uma sala de interrogação policial.

Griffiths utiliza e explora a natureza frágil das coisas, dos materiais e das representações. Os objetos estão sempre em processo de queda ou perda: o pirata não possui uma perna e uma mão; a coruja não tem corpo, apenas uma cabeça, enfatizando seus redondos e solitários olhos. O que, num primeiro momento, pode parecer uma obra de arte, em uma análise mais próxima, dá lugar à dúvida, à complexidade e à instabilidade. Os escudos não são feitos em metal, mas meticulosamente fabricados em plástico; o quadro de avisos desbotado é uma cópia fotográfica lindamente traduzida. As “peles” e superfícies dos objetos apresentados estão sempre dando, ou pelo menos oferecendo, a possibilidade de serem lascadas, descamadas ou substituídas. Griffiths sugere uma lógica na qual a alteração da forma é possível e ativamente incentivada.

A escala dos trabalhos, o uso de objetos identificáveis, mas freqüentemente alterados, e a relação entre as coisas mundanas contribuem para que o espectador tenha consciência do espaço entre os objetos e seus próprios corpos. A exposição é planejada como um jogo sério, onde há tensão entre ficção e fato, entre pensamento e matéria, entre o que é revelado e o que é escondido, entre o isolamento dos objetos e seus efeitos acumulativos que continuam sem solução previsível.

Brian Griffiths (Stratford-Upon-Avon, 1968) é representado pela Galeria Luisa Strina, onde expôs em 2002, com o artista Alexandre da Cunha. Sua segunda exposição coletiva no Brasil ocorreu no Museu de Arte Moderna em Belém, no Pará, em 2004. Já fez exposições individuais e coletivas por diversos países do mundo, destacando-se exposições na Saatchi Gallery, em Londres, no Musee d’art Moderne de la Ville de Paris, em Paris, em Estocolmo, Nova York, Milão, Atenas, Tel Aviv, Roterdam e no Groninger Museum, na Holanda. Neste ano, além desta individual na Galeria Luisa Strina, apresentará suas obras em exposições individuais em Londres, em Folkestone, em Zurique e em Berlim e em uma exposição coletiva em Viena.

Dando continuidade ao programa de exposições do tipo “projeto”, a Galeria Luisa Strina apresenta exposição do artista Marcius Galan (1972). “Arquipélago” (Terraço) é uma instalação composta por pequenas “praças” geométricas feitas de concreto com plantas e poste de luz. A obra propõe discussões sobre a organização e divisão de espaços em grandes cidades como São Paulo. A galeria mostra também 15 desenhos do artista Leonilson (1957 – 1993) no PISO III. São obras produzidas entre 1989 e 1991, sendo que a maioria é inédita e todas estão disponíveis para venda.

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