Gilberto Mariotti

11 Maio — 04 Julho 2004
Exposição no 1º piso






GILBERTO MARIOTTI A Galeria Luisa Strina apresenta, do dia 11 de maio até 04 de junho de 2004, exposição individual do artista plástico Gilberto Mariotti.

O artista, que participou do Panorama da Arte Brasileira, no MAM e da Temporada de Projetos do Paço das Artes, ambos em São Paulo, em 2001, mostra agora pinturas inéditas em grandes formatos e “pinturas” feitas em computador.

São três obras em óleo e quatro em acrílica sobre tela. As obras pintadas a óleo (160 x 220 cm) partem da mesma imagem, como se houvesse um matriz para fazer gravuras, mas neste caso são pinturas. As obras em acrílica (220 x 160 cm) são em preto e branco e seguem uma lógica já iniciada em trabalhos anteriores, onde os aspectos representacionais convivem com uma rigidez estrutural que os torna econômicos e a figura representada, ambígua.

As oito “pinturas em computador” apresentadas seguem o tamanho A3 e recebem o nome do programa utilizado na feitura destas: “Painter”. Estas obras partem de imagens que são propagandas de anúncios de revistas de equipamentos fotográficos, mas que acabam por confundir o espectador num primeiro olhar devido ao resultado que extrapola a ambigüidade entre as figuras remanescentes dos anúncios e o gesto típico da tradição abstracionista.

“Seu (Gilberto Mariotti) foco de interesse parece centrar-se numa investigação acerca de instâncias intrínsecas à própria condição da obra de arte, sua representação, reprodutibilidade e autonomia. Sua produção privilegia o discurso interno da obra, no sentido de seus quadros possuírem quase a necessidade de falar de si e por si, de remeterem à própria razão de existirem; eles existem como que para problematizar o próprio fato de serem realizados. Por conseguinte, aludem à sua condição de obra de arte e carga de significados a elas inerentes, passíveis de interpretações e julgamentos. Esse componente de interioridade, convém ressaltar, não se refere em momento algum a qualquer leitura pelo viés da ‘busca de uma mitologia pessoal’, evocação de reminiscências afetivas ou quaisquer associações de ordem subjetiva; ao contrário, suas telas prontamente acusam essa recusa, propondo antes um questionamento acerca de sua própria natureza. Cabe notar que, neste campo demarcado de investigações, Gilberto valha-se da pintura e do desenho, numa postura de consciente resistência às facilidades que outras mídias poderiam eventualmente suprir, mas que não traduziriam com propriedade suas inquietações (…) A pintura de Mariotti não aspira ao hiper-real, até porque, lembra Jean Baudrillard, o mesmo estaria além da representação por funcionar inteiramente no terreno da simulação; e a simulação definitivamente não tem lugar no jogo proposto pelo artista. Sua habilidade reside em chegar a uma solução visual técnica que não dê margem a interpretações equivocadas: nem a representação idealizada nem a mera sugestão de imagem, mas um plano entre, única posição possível para a fruição do discurso que propõe”, escreve Guy Amado para o catálogo da exposição individual do Paço das Artes, 2001.

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