José Arnaud | Natura Non Facit Saltus

19 Fevereiro — 26 Março 2011
Sala 02






Circunvoluções de um Koi Em sua Teoria das Transformações, D’Arcy Thompson utiliza um sistema de coordenação e suas deformações para explicar as semelhanças e diferenças em proporção entre espécies semelhantes na natureza.

Seguindo sua lógica, pode-se entender seu sistema de coordenação como uma descrição, não apenas da morfologia de uma espécie específica, mas como um diagrama da relação histórica que cada espécie teve com seu ambiente.

O peixe Koi, uma figura muito utilizada na arte japonesa, aparenta transmitir em sua representação um significado semelhante aquele presente no diagrama de Thompson. Notório por sua força e capacidade de nadar contra a corrente, o Koi é comumente representado não apenas por sua própria figura, mas através de sua relação com o ambiente, em uma batalha contra as águas ferozes.

De acordo com a lenda, tal força e persistência podem ter uma recompensa. Se um Koi obtiver sucesso em nadar contra a corrente e atravessar o Portão do Dragão nas quedas do Rio Amarelo, ele será transformado em dragão. Uma transformação que a perspectiva evolucionista de Thompson dificilmente poderia antever.

O uso da figura do Koi em tatuagem implica ainda uma passagem, um ajuste geométrico da figura ao adaptar-se à curvatura da pele. Esta mudança quantitativa, de certa forma, desencadeia uma transformação qualitativa; quanto maior a área da pele coberta pela figura, maior seu distanciamento da configuração original.

Uma vez sobre a pele, a figura deixa de ser, finalmente, um Koi. Sua perseverança é recompensada por outras transformações inesperadas.

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