Various Artists / O Castelo

curadoria de Catherine Bompuis

16 Fevereiro — 10 Março 2012






Le Château por Various Artists dedicado a Hans Sonneveld, 1960-2011 Curadoria Catherine Bompuis Galeria Luisa Strina São Paulo, Brasil Abertura ao público: 16 de janeiro – 3 de março de 2012 Vernissage: 16 de fevereiro de 2012 – 19h Exposição: 17 de fevereiro – 10 de março de 2012 Le Château / O Castelo “A fome é resultante da ação humana.” Desde o surgimento das fazendas industriais e da industrialização da nossa alimentação, a obesidade e as doenças ligadas à alimentação espalham-se amplamente. Enquanto milhões de pessoas morrem de fome, é cada vez mais frequente que amplos recursos sejam reservados ao cultivo para exportação em países onde as pessoas não dispõem de comida suficiente. (VA) “O Castelo” é uma instalação executada por “Various Artists”, um grupo de 24 artistas fictícios inventado por Trudo Engels em 1995. Um castelo de biscoitos será montado na galeria Luisa Strina com alimentos industrializados saturados de açúcares refinados, gordura transgênica e de aditivos de tipo E , comprados em lojas de alimentação baratas: “Doces Imperial”, “Largo dos Doces”… Estes alimentos terão uma influência em longo prazo sobre a saúde das pessoas que os comem, quer por necessidade, quer por escolha. Estes produtos industrializados oferecem lucros mais elevados e são o centro de campanhas publicitárias particularmente agressivas destinadas ao público. “O Castelo” é concebido como uma performance, composta de uma instalação, uma série de workshops e de informações sobre o tema tratado.

“Mudar a maneira como nós comemos não mudará o mundo, mas pode começar a nos mudar, e assim poderemos ser parte da mudança no mundo.” Various Artists (V.A.) são, por ordem de aparecimento: Armin Turing, 1973, Munique, Alemanha; Innumerat Roselare, 1970, Du Bois, Pensilvânia, Estados Unidos; Bernard Leroy, 1975, Mississauga, Canadá; Johannes Korstjens, 1980, Haarlem, Holanda; Lima Drib, 1961, Liverpool, Inglaterra; n.e.b.u.s.i., 1968, Spitak, Armênia; Digi_Shelf, Délia Sheehy, 1971, Limerick, Irlanda; Willy Depoortere, 1979, Poperinge, Bélgica; Aude Thensiau, 1975, Marselha, França; Christl Coppens, 1986, Ghent, Bélgica; Martaque, Jamila Al Khawarizm, 1973, Cascais, Portugal; Steina Zooeydottir, 1981, Bolungarvik, Islândia; Feu Trudo Engels, 1962-2009, Roeselare, Bélgica; Valereson da Silva, 1971, Pindamonhangaba, Brasil; Ana Omandichana, eraser, 1984, Siroki Brijeg, Bósnia e Herzegovina; Cindy Janssens, 1985, Maastricht, Holanda; Freddy Grant, 1952, Kilarrow, Escócia; Martn Coppens, 1986, Ghent, Bélgica; Robert Ingelbre_, 1982, Estocolmo, Suécia; Diederick Dewaere, 1974, St-Etienne, França; Marcella.B, 1955, Arnhem, Holanda; Morice de Lisle, 1955, Kinshasa, Congo; Sufferice, Albert Savereys, 1964, Petegem, Bélgica; Hélène Thensiau, 1976, Marselha, França.

Various Artists é uma obra autônoma. Cada artista trabalha com pesquisas específicas e tem sua própria identidade artística. O percurso de cada um dos artistas virtuais foi elaborado, obras foram produzidas e colaborações realizadas entre os VA. Engels estabeleceu uma base de dados com as informações pessoais de cada um dos artistas que compõem VA: currículos, retratos, obras, ateliers, histórias, artigos, etc. Estes arquivos formam a base dos workshops denominados Being an Artist.

Esses workshops foram criados, por um lado, para um maior desenvolvimento dos V.A., por outro lado, para colocar os artistas de VA à disposição de outros artistas (AV: Artistas Verdadeiros), que têm assim a oportunidade de emancipar suas próprias práticas artísticas. E é neste momento que os VA evoluem para um pensamento conceitual coletivo, uma estrutura aberta que todos podem usar.

A partir dos conhecimentos e do know-how adquirido, novas obras são produzidas durante projetos que implicam diferentes VA: cada um traz suas características, seu percurso e seus próprios interesses artísticos. Esta colaboração, seja ela fictícia ou não, é executada por pessoas reais. O criador de VA e os artistas ligados à série Being an Artist podem se produzir como VA nos projetos coletivos. Um deles, Morice de Lisle, realiza performances cujas regras alteram ou limitam o trabalho dos outros VA. De Lisle – um dos mais radicais VA – não se deixa fotografar.

Ele jejuará durante um mês e beberá somente água. Esta performance, inspirada no conto de Franz Kafka Um artista da fome, metáfora do artista e de sua condição, constitui a base do projeto “O Castelo”.

Nas últimas décadas, o interesse pelos artistas da fome diminui bastante. Se antes compensava promover por conta própria grandes apresentações desse gênero, hoje isso é completamente impossível. Os tempos eram outros. Antigamente, toda a cidade se ocupava com os artistas da fome; a participação aumentava a cada dia de jejum; todo mundo queria ver o jejuador no mínimo uma vez por dia; nos últimos, havia espectadores que ficavam sentados dias inteiros diante da pequena jaula; também à noite se faziam visitas cujo efeito era intensificado pela luz de tochas; nos dias de bom tempo, a jaula era levada ao ar livre e o artista mostrado especialmente às crianças … O estado de abstinência enfraquece fisicamente o artista/ativista e ao mesmo tempo reforça mentalmente sua ação. Este estado vai influenciar e modificar o processo da instalação e também sua apresentação. Tradicionalmente, esse ato de resistência passiva é também um ato simbólico utilizado como arma no campo político. Transferido para um contexto artístico, ele subverte suas regras. O ato induz então a uma reflexão crítica sobre a industrialização da nossa alimentação e as suas consequências sobre nossa saúde. Essa ação simbólica é uma ação política dirigida contra a indústria agroalimentar.

A galeria Luisa Strina se torna uma cena de teatro. Os personagens são fictícios, a ação é real. Durante a montagem da instalação, o local de trabalho servirá de metáfora para discussões e workshops que exploram a questão do desenvolvimento da indústria dos produtos de consumo. O período de pesquisa e de construção efetuada por estes artistas fictícios resultará em uma exposição que abrirá suas portas dia 16 de fevereiro na galeria Luisa Strina, em São Paulo.

VA como Morice de Lisle, Lima Drib, Diederick Dewaere, Valereson da Silva, Christl Coppens, Martn Coppens, Martaque, Steina Zooeydottir, Willy Depoortere e Marcella.B. Elise Broekaert, Sophie Speck e Laura Caroen como Christl Coppens Jesse Cremers como Valereson da Silva Elke Van Campenhout como Marcella.B.

Equipe técnica: Rubens Teixeira Dos Santos e Jesse Cremers Assistente de produção: Loes Jacobs Equipe galeria: Ada Maria Hennel, Adailton Pires dos Santos, José Roberto da Silva e Sandro Machado Rodrigues. “O Castelo” está sob a licença Creative Commons BY, NC, SA.

Os workshops serão abertos ao público todas as quintas-feiras, a partir do dia 16 de janeiro.

bibliografia: 1) Moore Lappe F., Diet for a Small Planet, Random House , New York, 1991, p. 17. 2) Moore Lappe F., Diet for a Small Planet, Random House , New York, 1991, p.14.

3) Franz Kafka. Essencial Kafka, Companhia Das Letras. Tradução, seleção e comentários de Modesto Carone, São Paulo, Brasil, 2011.p.43.

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