Pedro Motta

10 Abril — 09 Maio 2007
Exposição no 1º piso






PEDRO MOTTA (mostra paralela à exposição de Sandra Tucci) Dando continuidade ao programa de exposições do tipo “projeto”, a Galeria Luisa Strina apresenta mostra do artista Pedro Motta.

No piso II, Motta exibe uma seleção da série de fotografias “Espera” (2005-2006). A série completa consiste em treze imagens que retratam pontos de ônibus coloridos de uma arquitetura precária registradas em uma estrada do interior de Minas. As fotografias revelam uma tipologia construtiva e cromática regional que marca a desolação espacial de lugares onde paradas de ônibus funcionam como centros de ligação no interior.

A série “Caçamba” (2001-2007) inclui nove imagens e uma seleção delas é mostrada no piso III. São fotografias inéditas que retratam caçambas de caminhões que foram deixadas às margens de estradas e rodovias do norte e nordeste de Minas Gerais. As estruturas vazias de madeira ou metal que outrora eram usadas para transportar animais, pessoas ou mercadorias, encontram-se agora ao ar livre, posicionadas no solo ou precariamente suspensas, aguardando um futuro incerto. Algumas serão vendidas para fins diversos, outras abandonadas até apodrecerem. A expectativa, o volume e as formas destas espécies de esculturas públicas despertam o interesse do artista.

No acervo, a galeria expõe ainda uma outra série que registra caixas d’água também do interior de Minas. São sete imagens produzidas em 2006 que indicam resquícios de uma infra-estrutura instalada em paisagem despovoada em compasso com o desenvolvimento e expansão populacional. Impressas em branco e preto, as fotografias mostram ruínas de estruturas funcionais que agora caíram em desuso. A manipulação digital apaga parte das estruturas de sustentação das caixas d’água, fazendo com que os reservatórios pareçam flutuar na paisagem de lugares esquecidos, apontando para a idéia de progresso e falência, esperança e abandono.

As séries fotográficas de Pedro Motta são evidentemente tributárias da fotografia alemã, em especial da obra de Bernd e Hilla Becher, pioneiros professores da Academia de Düsseldorf (cujos alunos incluem Andreas Gursky, Thomas Ruff, Thomas Struth e Candida Höfer). Desde os anos 1960, os Becher registram, em preto e branco, diferentes edifícios e estruturas industriais na Alemanha e fora dela, categorizando-os e documentando-os de forma direta e aparentemente objetiva. As imagens do fotógrafo viajante Motta, entretanto, apesar de sugerirem a atividade arquivista e documental, não têm essa mesma pretensão, revelando, isto sim, a precariedade e o abandono dos objetos em seu contexto específico – o interior de Minas Gerais – com um flagrante sabor local e um espírito melancólico. Pedro Motta nasceu em Belo Horizonte, em 1977, onde vive e trabalha. Participou da exposição itinerante “Paradoxos Brasil”, do programa Rumos Itaú Cultural Artes Visuais (2006), da mostra “Fotografia Contemporânea Brasileira”, que esteve em Berlim e percorreu outras cidades da Alemanha (2006), e fez exposições individuais como a “III Mostra do Programa Anual de Exposições do Centro Cultural São Paulo”, em São Paulo (2006) e a pertencente ao projeto “Bolsa Pampulha”, no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte (2004).

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