Pedro Reyes

Os Terráqueos

26 Setembro — 26 Outubro 2013






Pedro Reyes, 1972, nascido e baseado na Cidade do México, irá apresentar na Galeria uma exposição individual com cinco instalações inéditas.

Suizas Navajas é uma versão do tradicional Canivete Suíço, recriado a partir de objetos comprados em mercados de pulga na Cidade do México. Os canivetes receberam novas funções e mecanismos, introduzindo, por exemplo, uma flauta, uma colher e um telescópio. A interação com o público amplia as possiblidades de combinações das multifunções dos canivetes, criando a cada experimentação uma ferramenta distinta.

Seguindo a mesma proposta de altear funções originais de objetos cotidianos, a obra The Tubular Bells é composta por uma série de sino de vento fabricados a partir de rifles, pistolas, metralhadoras e partes de revólveres. Os sinos foram criados para serem pendurados em árvores. O efeito dos ventos nos sinos estabelece um ambiente sonoro que funciona como uma lembrança – um agente de morte convertido em um agente de vida. Esta obra é a continuação da pesquisa do artista com armas de fogo, que já rendeu os projetos Palas por Pistolas – que consiste na transformação de 1.500 armas em 1.527 pás, que por sua vez foram utilizadas para plantar 1.500 árvores – e Disarm, instrumentos musicais feitos com armas.

O trabalho Cuerpomatico é elaborado a partir de uma mesa onde estão dispostos diversos objetos recolhidos pelo artista, que compõem uma peça tátil para ser tocada e sentida pelo público. Os objetos são peças de pedra, vidro e outros materiais destinados a serem usados para massagem, carícia e fricção. Cada um dos materiais produz uma sensação específica que não é apenas física, mas também uma ativação nostálgica da memoria.

A instalação Colloquium é composta por lâminas de mármore translúcido, cortadas em formato de balões de diálogo de histórias em quadrinho, estruturadas ao modo de um castelo de cartas. Cada lâmina contêm diversas vozes, linguagens e conteúdos. Em contraposição ao termo latino “colloquium”, que em uma de suas acepções define uma palestra ou assembleia focada em determinado assunto, esta obra apresenta uma sobreposição arquitetônica e conceitual de diversos fragmentos discursivos.

A obra Os Terraqueos apresenta uma figura alongada do corpo humano, tecida à mão em lã, com braços que brotam no decorrer do tronco, como uma centopeia. As mãos ora carregam objetos como ferramentas e armas , ora representam gestos de saudação, adoração ou despedida. Cada um destes objetos e gestos atua como alegorias para as múltiplas definições acerca da espécie humana: Homo Faber, Homo Ludens, Homo Demens, Homo Economicus, Homo Reciprocans, Homo Necans, Homo Politicus.

Esta obra, de certa forma, pode nos apresentar uma chave de interpretação para a exposição, que é o resultado de um jogo arqueológico proposto pelo artista, que contrapõe as práticas discursivas do homem com a sua produção e uso de ferramentas. Este jogo passa pela ironia, quando o artista apresenta as diversas versões do Homo Sapiens, pelo lúdico com os objetos táteis, como também pela redenção, ao desativar armas e transformá-las em instrumentos sonoros.

Dentre as diversas exposições individuais do artista destacam-se: Sanatorium, Guggenheim Museum, Nova York, EUA (2011), Map Marathon, Serpentine Gallery, London, Inglaterra (2010), Conflict Resolution, San Francisco Art Institute, EUA (2008), Principles of Social Topology, Yvon Lambert Gallery, Nova York, EUA (2007). Das coletivas ressaltam-se: Festival of Ideas for the New City, New Museum, Nova York (2011), Modelos para armar. Pensar Latinoamérica desde la Colección MUSAC, MUSAC, León. Espanha (2010), Mamoyguara opá mamo pupé, 31° Panorama da Arte Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Brasil (2009), Declaraciones, Centro de Arte Reina Sofia, Madri, Espanha (2005), The Structure of Survival, 50ª Bienal de Veneza, Itália (2003).

Pedro Reyes tem obras pertencentes às seguintes coleções: Brooklyn Museum (Nova York), Museum of Fine Arts Boston, Carnegie Museum of Art (Pittsburgh), Kadist Art Foundation (Paris), Tiroche DeLeon Collection (Gibraltar), Museo Tamayo (Cidade do México), Fundación Alumnos47 (Cidade do México), Walker Art Center (Minneapolis).

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