Matias Duville

Projection soul

exposição individual

25 Setembro — 09 Novembro 2019
Sala 02






Rotas para a mente que conduzem para o pôr-do-sol. O transito do carvão para a poeira do deserto. Matias Duville descreve assim os desenhos de grandes dimensões feitos em sanguínea (carvão vermelho) que estão reunidos na exposição ProjectionSoul, sua terceira mostra individual na Galeria Luisa Strina.

Cada vez que começa uma série com uma matéria prima não utilizada anteriormente, o artista conta que precisa experimentar por longo período o material: “Sinto-me em um novo ambiente e demora até equalizar a estrutura do material com a dos trabalhos; é o começo de uma nova realidade”, explica Duville. Trabalhando com sanguínea há um ano e meio, ele afirma que, após os dez primeiros desenhos, aproximadamente, começou a pensar na sensação de olhar na direção do sol com os olhos fechados. “O elemento propulsor desses trabalhos é o sol, o real. Os caminhos ou estradas que parecem conduzir até o Sol são um grande enigma.”

Antes de iniciar a série Vermelha, Matias havia trabalhado em um grupo de desenhos feitos com lama, durante uma residência artística no Rio de Janeiro, em 2018, quando realizou também uma vivência/workshop com alunos de artes no Parque Lage. “Quando uso lama, eu sou o desenho, porque é um material molhado, rápido e incontrolável. A mente também viaja rápido, sem filtros. Aqui, o material é seco, demorado e lírico”, compara Duville as duas experiências bastante distintas.

“Acredito nessa realidade paralela, em uma percepção aumentada, a amplificação da mente; cada desenho é uma ativação de uma nova área mental para mim ”, conta o artista. Seu interesse reside no fato de que, embora as obras possam ser lidas como oníricas, estão localizadas em um espaço concreto, pertencem a este mundo. Talvez isso tenha guiado a série de esculturas que dividem o espaço expositivo da Galeria Luisa Strina com os desenhos em vermelho.

Feitas em argila fundida em bronze, as peças são criadas a partir de um plano, sobre o qual o artista imprime redes, que criam uma padronagem de grid. “Nas esculturas, você tem uma maneira diversa de visualizar a mesma cena dos desenhos, ou seja, o contraste entre peso e levitação, entre cheio e vazio. São como microuniversos dentro das paisagens.”

Duville explica que quando produz suas esculturas, imagina que está manipulando a matéria total, como se não existisse mais nada e todo o contexto em que está inserido desaparecesse. “As esculturas são um diálogo entre a matéria e o vazio. Sua visualidade é algo intermediário entre objetos que poderiam vir do espaço sideral ou do oceano.” Algumas estão apoiadas, outras perdem seu ponto de gravidade, parecendo gravitar, como asteroides.

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