This Is Not A Void

25 Outubro 2008 — 22 Janeiro 2009
Exposição nos 1º e 2º






A Galeria Luisa Strina inaugura no dia 24 de outubro, sexta-feira, a mostra internacional This Is Not a Void, organizada pelo curador Jens Hoffmann. Conhecido por montagens que desafiam o Espaço do chamado cubo branco das galerias, Hoffmann propõe uma exposição sem objetos apresentada num espaço vazio. Ao reunir um grande número de obras de 37 artistas de renome internacional, a exposição foca na tematização da noção de vazio ao criar um espaço fisicamente vazio, porém cheio de obras de arte que são desmaterializadas, imateriais ou efêmeras e, por isso, imperceptíveis. Nas artes visuais, um dos pontos de referência da idéia de vazio é a série de pinturas negras realizadas pelo artista russo Kazimir Malevitch, em 1915. Seus quadrados negros marcam o ponto inicial da pesquisa de formas puras e também de cores; em seus vazios negros havia um enorme potencial para uma abordagem mais abstrata e conceitual do fazer artístico. Depois dessa importante negação da representação em pintura, sobreveio a negação do objeto no espaço, que ficou marcada com a chegada da Arte Conceitual no final dos anos 1960, um momento que reavaliou analiticamente não somente os parâmetros da obra de arte, mas também o meio em que ela é exposta e exibida. A mostra This is not a Void segue esse legado histórico. Essa mostra busca alterar os parâmetros de exposição e de percepção da obra de arte. “Ela levanta uma série de questionamentos que nos levam diretamente ao âmago da nossa relação com a arte”, diz o curador, que lança questões ao espectador: “Como nós encaramos um espaço expositivo vazio, o mesmo que sempre vemos repleto de obras? De que forma isso afeta a forma como vemos a produção e a exibição de arte?”. This is not a Void obriga o espectador a dar um passo adiante, colocando em cheque a forma como ele vê a produção artística, obrigando-o a viver a experiência artística de uma maneira mais centrada. Ao desnudar a obsessão do espectador com a visibilidade e ao evitar qualquer forma de representação por meio de objetos, a mostra cria uma ruptura temporária que busca restabelecer uma conexão entre o público e as obras de arte em exibição. Segundo o curador, a mostra é uma espécie de resposta à 28. Bienal Internacional de Arte de São Paulo, “Em Vivo Contato”, curada por Ivo Mesquita, que abre na mesma semana. No segundo andar do pavilhão da Bienal, onde costumam ser expostas as principais obras da exposição bienal, não haverá obra alguma. Para Hoffmann, “esse simples gesto é inspirado pela idéia do vazio como espaço potencial, um gesto simbólico de suspensão”. This is not a Void segue essa linha de raciocínio ao exibir arte em um espaço “vazio” ao invés de deixá-lo simplesmente vazio ou mesmo nu. “Pode haver arte num espaço vazio e ela pode criar uma experiência que vai além da ditadura do objeto”, arremata o curador. Artistas participantes da mostra coletiva This is not a Void: Artur Barrio, Laura Belém, Arabella Campbell, Iván & Yoan Capote, Alexandre da Cunha, Martin Creed, Guy Debord, Gino de Dominicis, Marcel Duchamp, Elmgreen & Dragset, Robert Filliou, Claire Fontaine, Aurélien Froment, Ryan Gander, Mario Garcia Torres, Loris Gréaud, Jordan Kantor, Paul Kos, David Lamelas, Adriana Lara, Tonico Lemos Auad, Tim Lee, Jac Leirner, David Lieske, Mateo López, Renata Lucas, Kris Martin, Robert Morris, Roman Ondák, Fernando Ortega, Kirsten Pieroth, Marco Rountree, Tino Sehgal, Mark Soo, Jan Timme, Ian Wilson, Cerith Wyn Evans.

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